para Tavinho Paes*
blá blá blá blá
ele é totalmente demais
ele tem um grupo de green eyes
com seus olhos the blues man
the girls da sua life
as she-has do seu he-man
qualquer coisa dá o start
ele não aceita o stop
art é action, vida é arte
ele é pop, ele é top
com seus olhos de blues man
suas moças de green eyes
sua batida beat
transportada em bytes
ele não topa o stop
ele quer sempre mais
seu heart beat bate
pelas belas de green eyes
* autor de músicas como "Rádio Blá", "Totalmente demais" e "She-ha" - siiiiim..., a da Xuxa! grande poeta. e grande amigo.
20.11.09
ESSA COISA
essa inconseqüência
essa urgência
uma ânsia
uma coisa qualquer
um impulso
um fascínio
uma atração incontrolável
isso que é inominável
sem explicação
esse jogar-se
atirar-se ao precipício
um sorriso no rosto
no abismo
o chão se aproxima
a queda é certa
vai doer, vai sangrar
vai espedaçar
você pode morrer
você pode matar
todo o risco
todo o medo
tudo o que é angústia e desespero
se desmancha no ar
naqueles segundos
em que a paixão clareia os sentidos
tudo é leve, não há gravidade
e você sabe,
contra todas as leis da física,
você sabe que não está caindo
e mais do que tudo, você sabe
tem a plena certeza
de que sabe voar
essa urgência
uma ânsia
uma coisa qualquer
um impulso
um fascínio
uma atração incontrolável
isso que é inominável
sem explicação
esse jogar-se
atirar-se ao precipício
um sorriso no rosto
no abismo
o chão se aproxima
a queda é certa
vai doer, vai sangrar
vai espedaçar
você pode morrer
você pode matar
todo o risco
todo o medo
tudo o que é angústia e desespero
se desmancha no ar
naqueles segundos
em que a paixão clareia os sentidos
tudo é leve, não há gravidade
e você sabe,
contra todas as leis da física,
você sabe que não está caindo
e mais do que tudo, você sabe
tem a plena certeza
de que sabe voar
nossa!
tem uma dorzinha da tua mordida no meu pescoço que me faz um bem...
se eu soubesse que ao deslizar a mão desde a nuca ia me sentir assim
tinha oferecido meu corpo todo aos teus dentes
antes
sempre
tem uma dorzinha da tua mordida no meu pescoço que me faz um bem...
se eu soubesse que ao deslizar a mão desde a nuca ia me sentir assim
tinha oferecido meu corpo todo aos teus dentes
antes
sempre
18.11.09
16.11.09
QUANDO NÃO SE ACREDITA
a vida até que é boa
quando você não acredita
em comerciais de margarina
em novelas do manoel carlos
a vida até que é boa
quando você não acredita
em deus e no diabo
no certo e no errado
a vida até que é boa
quando você não acredita
em previsão do futuro
em remissão do passado
a vida é boa
quando não se acredita
quando ela simplesmente
(se fingindo de acaso)
te surpreende
quando você não acredita
em comerciais de margarina
em novelas do manoel carlos
a vida até que é boa
quando você não acredita
em deus e no diabo
no certo e no errado
a vida até que é boa
quando você não acredita
em previsão do futuro
em remissão do passado
a vida é boa
quando não se acredita
quando ela simplesmente
(se fingindo de acaso)
te surpreende
APENAS ISSO.
uma vodka no terraço
você e eu
cercados de antenas
de topos de prédios
à nossa frente, o precipício
o abismo sob nossos pés
e a gente sentado em silêncio
balançando as pernas
lado a lado
um suave sorriso
e a leve impressão
de que viver vale a pena
você e eu
cercados de antenas
de topos de prédios
à nossa frente, o precipício
o abismo sob nossos pés
e a gente sentado em silêncio
balançando as pernas
lado a lado
um suave sorriso
e a leve impressão
de que viver vale a pena
14.11.09
GATINHO DE ESTIMAÇÃO
eu queria ter um gato que se enroscasse nas minhas pernas em noites como essa
jogada no sofá lendo um livro, fumando um cigarro, no silêncio que é a minha calma
e um gato passeando pelas minhas pernas
vindo acomodar-se perto do meu peito
bem de mansinho...
só pra eu sentir, entre um ronronar e outro,
um leve alívio de ser amada
(mas não há gato, não há alívio, não há nada)
jogada no sofá lendo um livro, fumando um cigarro, no silêncio que é a minha calma
e um gato passeando pelas minhas pernas
vindo acomodar-se perto do meu peito
bem de mansinho...
só pra eu sentir, entre um ronronar e outro,
um leve alívio de ser amada
(mas não há gato, não há alívio, não há nada)
eu não entendo, não consigo entender, por que o amanhecer daqui é tãããão lindo! por que é sempre tão avermelhado, alaranjado... pinceladas no azul, no branco. é indescritível o que é o dia amanhecendo da varanda da casa da minha irmã na glória. vista pro aterro. baía de guanabara. enfim... outro dia fiz umas fotos. hoje tá ainda mais bonito. mas vou postar as fotos do outro dia pra mostrar como parece uma pintura. e se alguém discordar eu digo: "é porque você não viu ao vivo". o que é um argumento de autoridade maravilhoso que encerra o assunto.
13.11.09
Hoje, a partir das 23h, tem show do Arnaldo Brandão, "Amnésia Programada", no Conversa Afinada, Rua Vinícius de Moaraes, 75, 3o andar - Ipanema. Convite R$20; R$15 lista amiga. Participo falando um poema. É isso aí, foi de última hora, não deu pra avisar ninguém, e eu tô sem celular. Então, se der tempo de alguém ler isso aqui e chegar lá, até.
INESPERADO
é que tem coisas inesperadas
é que tem coisas realmente inesperadas
é que eu não sei quantos chopps tomei
nem que horas eu vou voltar pra casa
é que de repente eu me animei
é que de repente eu não sei
eu simplesmente não sei
nem sei se eu quero saber de alguma coisa
é que eu simplesmente me deixo levar
e que tem coisas inesperadas
é que o que se espera é muito chato
o previsível, indesejado
é que de repente o desejo nasce do acaso
é que de repente o acaso é um caso sério
é que nada é de caso pensado
é que o que se pensa é muito chato
o impensado, desejado
é que de repente o dia amanhece
é que de repente a vida amanhece
é que de repente, eu ainda estou de noite
eu preciso de óculos escuros
com vista pro mar
eu preciso de você
com vista pro mar
das aves negras no céu
das ondas brancas no chão
das bebidas trancadas no bar
de burlar a segurança
das saídas de emergência
do 28o andar
de tudo o que nos ronda
de tudo o que eu nem sabia -
de tão inesperado! -
que eu iria precisar
você e eu (só)
(sem vista pro mar)
é que tem coisas realmente inesperadas
é que eu não sei quantos chopps tomei
nem que horas eu vou voltar pra casa
é que de repente eu me animei
é que de repente eu não sei
eu simplesmente não sei
nem sei se eu quero saber de alguma coisa
é que eu simplesmente me deixo levar
e que tem coisas inesperadas
é que o que se espera é muito chato
o previsível, indesejado
é que de repente o desejo nasce do acaso
é que de repente o acaso é um caso sério
é que nada é de caso pensado
é que o que se pensa é muito chato
o impensado, desejado
é que de repente o dia amanhece
é que de repente a vida amanhece
é que de repente, eu ainda estou de noite
eu preciso de óculos escuros
com vista pro mar
eu preciso de você
com vista pro mar
das aves negras no céu
das ondas brancas no chão
das bebidas trancadas no bar
de burlar a segurança
das saídas de emergência
do 28o andar
de tudo o que nos ronda
de tudo o que eu nem sabia -
de tão inesperado! -
que eu iria precisar
você e eu (só)
(sem vista pro mar)
9.11.09
IMINÊNCIA
a possibilidade é mais que o fato
o por fazer melhor que o feito
muito maior que o ato (mais vasto...)
o que está nas mãos está nas mãos.
não é desejo de pegar
[a mão só avança pelo que fica no ar]
desejar e ter é muito bom - essa urgência...
mas bom mesmo é morder o sanduíche pelos lados
e deixar por último o meio cheio de recheio!
ou comer primeiro a parte seca do biscoito recheado
ou guardar aquele último gole de coca-cola pra manhã do dia seguinte de ressaca - hummm...
a coisa deixa de ser a coisa em si e vira um objeto de desejo
como um beijo guardado
[estamos sempre na iminência de algo]
o por fazer melhor que o feito
muito maior que o ato (mais vasto...)
o que está nas mãos está nas mãos.
não é desejo de pegar
[a mão só avança pelo que fica no ar]
desejar e ter é muito bom - essa urgência...
mas bom mesmo é morder o sanduíche pelos lados
e deixar por último o meio cheio de recheio!
ou comer primeiro a parte seca do biscoito recheado
ou guardar aquele último gole de coca-cola pra manhã do dia seguinte de ressaca - hummm...
a coisa deixa de ser a coisa em si e vira um objeto de desejo
como um beijo guardado
[estamos sempre na iminência de algo]
longa viagem para avestruzia

avestruzes, avestruzes
eu queria ver avestruzes cruzando o aterro esta noite!
avestruzes enormes cruzando o aterro do flamengo
para espanto dos seres terrenos
1, 2, 3, 4, 5... vários!
nas duas pistas
correndo
não me pergunte por que avestruzes
são seres estranhos
meio pássaros, meio humanos
como um gordo americano empunhando o seu bic mac no pódio
tendo a velocidade de um keniano
avestruzes enormes, gordos, comedores de bic mac e corredores de maratona
com suas pernas finas e compridas dando largas passadas de corrida
cruzando o aterro despreocupados, desprevenidos dos carros
para espanto dos motoristas embriagados
ia dar no noticiário:
“acidente no aterro é causado por avestruz na pista”
“de acordo com testemunhas, os avestruzes desembarcaram minutos antes no aeroporto santos dumont”
“ainda não se sabe por que vieram”
“os avestruzes permanecem detidos para averiguação”
“segundo o comandante do 13º batalhão, ainda não foi possível colher os depoimentos porque os avestruzes não falam a nossa língua”
precisa-se de tradutores de avestruz – anunciaria o jornal nos classificados
tradutor de avestruz se tornaria um emprego valorizado
não por ser um trabalho assim tão bacana, mas por estar em falta no mercado
logo surgiriam os cursos especializados:
- avestruzês para iniciante
- avestruzês – curso básico
- avestruzês advanced
e as publicações:
- avestruzês para viagem – guia de bolso
etc.
e até as universidades ofereceriam habilitação no curso de letras
marque a opção de habilitação no curso desejado:
( ) inglês
( ) francês
( ) alemão
( ) espanhol
( ) avestruzês
e por aí vai...
mas tudo isso não tem a menor importância
eu só queria ver avestruzes cruzando o aterro esta noite
sem nenhum sentido político, social ou educativo
pela sua total falta de sentido
pela sua total irrelevância
só porque eu acharia bonito
como uma poesia
cruzando o aterro para estar comigo
eu queria ver avestruzes cruzando o aterro esta noite!
avestruzes enormes cruzando o aterro do flamengo
para espanto dos seres terrenos
1, 2, 3, 4, 5... vários!
nas duas pistas
correndo
não me pergunte por que avestruzes
são seres estranhos
meio pássaros, meio humanos
como um gordo americano empunhando o seu bic mac no pódio
tendo a velocidade de um keniano
avestruzes enormes, gordos, comedores de bic mac e corredores de maratona
com suas pernas finas e compridas dando largas passadas de corrida
cruzando o aterro despreocupados, desprevenidos dos carros
para espanto dos motoristas embriagados
ia dar no noticiário:
“acidente no aterro é causado por avestruz na pista”
“de acordo com testemunhas, os avestruzes desembarcaram minutos antes no aeroporto santos dumont”
“ainda não se sabe por que vieram”
“os avestruzes permanecem detidos para averiguação”
“segundo o comandante do 13º batalhão, ainda não foi possível colher os depoimentos porque os avestruzes não falam a nossa língua”
precisa-se de tradutores de avestruz – anunciaria o jornal nos classificados
tradutor de avestruz se tornaria um emprego valorizado
não por ser um trabalho assim tão bacana, mas por estar em falta no mercado
logo surgiriam os cursos especializados:
- avestruzês para iniciante
- avestruzês – curso básico
- avestruzês advanced
e as publicações:
- avestruzês para viagem – guia de bolso
etc.
e até as universidades ofereceriam habilitação no curso de letras
marque a opção de habilitação no curso desejado:
( ) inglês
( ) francês
( ) alemão
( ) espanhol
( ) avestruzês
e por aí vai...
mas tudo isso não tem a menor importância
eu só queria ver avestruzes cruzando o aterro esta noite
sem nenhum sentido político, social ou educativo
pela sua total falta de sentido
pela sua total irrelevância
só porque eu acharia bonito
como uma poesia
cruzando o aterro para estar comigo
espelho de areias brancas
espelho sem água
sem margem pra debruçar
miragem, miragem
caminho pra algum lugar
deserto, lugar de passagem
lugar que não dá pra ficar
sempre igual, sempre igual
duna aqui, duna ali
vários contornos
a mesma paisagem
sempre o mesmo chão
sempre o mesmo sol
sempre a mesma noite fria
depois do calor do dia
sempre o mesmo céu
sempre o mesmo sou
em busca de oásis
deserto de areias brancas
deserto sem água
sem margem pra debruçar
espelho sem fim
espelho sem água
sem margem pra debruçar
miragem, miragem
caminho pra algum lugar
deserto, lugar de passagem
lugar que não dá pra ficar
sempre igual, sempre igual
duna aqui, duna ali
vários contornos
a mesma paisagem
sempre o mesmo chão
sempre o mesmo sol
sempre a mesma noite fria
depois do calor do dia
sempre o mesmo céu
sempre o mesmo sou
em busca de oásis
deserto de areias brancas
deserto sem água
sem margem pra debruçar
espelho sem fim
5.11.09
NO SILÊNCIO DAS HORAS
como é triste a resposta que se dá no silêncio das horas
dolorida em todas as demoras de não ser
de não sei...
o não que se impõe no talvez
sem nunca ter sido dito
ecoando no tempo esgarçado
no espaço vazio
o não na voz são três letras
palavra de curta duração
bala que atinge em cheio o coração
uma só dor, e a paz eterna
o não no silêncio é a sala de espera
é a sala de espera
é a sala de espera
espera
espera
hemorragia interna
eterna, silenciosa, consumida de dores de demoras
como é triste a resposta que se dá no silêncio das horas
dolorida em todas as demoras de não ser
de não sei...
o não que se impõe no talvez
sem nunca ter sido dito
ecoando no tempo esgarçado
no espaço vazio
o não na voz são três letras
palavra de curta duração
bala que atinge em cheio o coração
uma só dor, e a paz eterna
o não no silêncio é a sala de espera
é a sala de espera
é a sala de espera
espera
espera
hemorragia interna
eterna, silenciosa, consumida de dores de demoras
como é triste a resposta que se dá no silêncio das horas
4.11.09
PERFORMANCE
A convite da performer Tania Alice, professora da UNIRIO, vou participar da performance "24 horas de vida de uma mulher", das artisas francesas Emmanuelle Becquemin e Sthéphanie Sagot e do chef Roland Villard, segunda, dia 16, às 20h, numa noite interativa de arte e gastronomia promovida pelo Sofitel e pela Aliança Francesa. O evento faz parte da comemoração do Ano da França no Brasil. Segue abaixo o flyer.


31.10.09
NUMA NOITE QUALQUER...
I
quando colhemos a poeira das ruas
e os postes iluminam apenas poças d’água que refletem solidão e dor
e uma criança vende chicletes na madrugada
e um bêbado grunhindo gemidos desconexos
corta o silêncio, invade o poema
falar de flores e da luz da lua
não vale a pena
II
um hippie corta palha e me faz uma esperança
eu não quero, estou dura
um hippie corta palha e me faz uma flor
eu não quero, estou dura
me faz um peixe, um pássaro
várias formas de dobradura
quando ele já está convencido
me presenteia
de peixe, pássaro, flor
de esperança
e eu tiro do bolso um sorriso
quase doce
de criança
III
uma sirene de polícia
de ambulância ou de bombeiro?
uma rajada de tiros
ou de fogos de artifício?
uma confusão
ou um festejo?
um bêbado xingando
ou bradando versos de amor?
é de alegria ou dor
de medo ou esperança
a síntese dos sons da madrugada?
quando colhemos a poeira das ruas
e os postes iluminam apenas poças d’água que refletem solidão e dor
e uma criança vende chicletes na madrugada
e um bêbado grunhindo gemidos desconexos
corta o silêncio, invade o poema
falar de flores e da luz da lua
não vale a pena
II
um hippie corta palha e me faz uma esperança
eu não quero, estou dura
um hippie corta palha e me faz uma flor
eu não quero, estou dura
me faz um peixe, um pássaro
várias formas de dobradura
quando ele já está convencido
me presenteia
de peixe, pássaro, flor
de esperança
e eu tiro do bolso um sorriso
quase doce
de criança
III
uma sirene de polícia
de ambulância ou de bombeiro?
uma rajada de tiros
ou de fogos de artifício?
uma confusão
ou um festejo?
um bêbado xingando
ou bradando versos de amor?
é de alegria ou dor
de medo ou esperança
a síntese dos sons da madrugada?
Difícil ser funcionário
João Cabral de Melo Neto
Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.
É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.
Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.
Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança
Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.
Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.
É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.
Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.
Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança
Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.
26.10.09
19.10.09
16.10.09
Eu era o pacote completo, e eles fizeram um lindo laço de fita pra enfeitar a caixa (ou poemas de amigos)
Sabe o que eu acho incrível na amizade? É que os amigos conhecem a gente profundamente, e ainda assim, nos amam. Eles conhecem de cor os nossos maiores defeitos, e fazem questão de exaltar as qualidades. Não que nos passem a mão na cabeça, muito pelo contrário. Eles sabem o momento de dizer "não", e quando é importante deixar o "sim" rolar solto... Mas eles amam o pacote completo, cheio de imperfeições. Eles rasgam o papel do presente, não estão nem aí pra decoração, porque eles sabem que o presente está dentro da caixa, e que é cheio de defeitos de fabricação, mas mesmo assim, brincar é tão bom!... Eles não precisam do manual, ou ler as regras do jogo. O que eles não sabem, eles inventam! O que deixa a vida cheia de possibilidades a mais... A amizade é a maior invenção da humanidade! E eu fiz toda essa introdução só pra falar que recentemente dois grandes amigos me fizeram um grande carinho em forma de poesia. O Fernão virou meu amigo de infância logo que nos conhecemos, e olha que a infância dele foi bem antes da minha. O Lucio, meu marido, dizem até que já temos 3 filhos. Veio de Brasília essa semana visitar as crianças... Amigos, amigos, sempre amigos. Apesar da diferença de idade, apesar da distância. Apesar dos defeitos de fabricação e etc. Porque amizade não se faz de "apesares". Se faz de "com isso, com aquilo e tudo o mais". Eu amo esses rapazes, o pacote completo de cada um deles! Agora, chega de blá, blá, blá. Eis os poemas:
BIA
Para
Bia Provasi
Bia Provasi
Pelo olhar se apresenta
voz suave e tranqüila
divertida e atenta
sempre em paz
sempre faz
acontece
ama
ri
.
recita
a vida
poesia
que faz
a cada dia
um verso
a cada gesto
e o ritmo
no pulso
seu olhar de anjo
o jeito de ocupar o espaço
a dança que faz com o braço
a vida que dá ao poema
abrem portas no universo
para acompanharmos
sua vida a cada verso
voz suave e tranqüila
divertida e atenta
sempre em paz
sempre faz
acontece
ama
ri
.
recita
a vida
poesia
que faz
a cada dia
um verso
a cada gesto
e o ritmo
no pulso
seu olhar de anjo
o jeito de ocupar o espaço
a dança que faz com o braço
a vida que dá ao poema
abrem portas no universo
para acompanharmos
sua vida a cada verso
Fernão
15/09/09
15/09/09
(AMIGOS: Eu, Fernão, Maysa, Marcela, Maíra, Juju e Célio)
Atemporal
para a grande amiga, Beatriz Provasi.
Essa amiga Bia
É pra lá de porreta
É livre no pensar
E diz o que vem na veneta
Artista de verso e de palco
Corajosa, e decerto valente,
Amiga do peito e, também,
Pessoa muito coerente
Esporadicamente amigo,
aqui logo reconheço
que, apesar da distância,
nunca faltou o apreço
Saudade que vai,
O tempo esvai;
Saudade que vem,
Amizade aqui tem.
Amiga que veio
que é e será
mais que adjetiva,
Sujeita atemporal
Lucio Mello

(AMIGOS: Lucio, Tamara, Natália, eu e Jacomo)
10.10.09
NU ARTÍSTICO
a nudez mais funda é a da alma
tento esconder as gordurinhas dos meus pensamentos
mas elas pulam pra fora, formam pneuzinhos
meus poemas são repletos de pneuzinhos
são o corpo imperfeito de um espírito inquieto
não uso maquiagem e vivo descabelada
meus versos têm um dentinho torto que aparelho nenhum dá jeito
cansei de sorrir com a mão na frente pra esconder o defeito
hoje sou só gargalhada!...
desfilo versos desengonçados pelas passarelas
me deixo fotografar com as expressões mais ridículas
o amor é ridículo – por que meus versos têm de ser bonitos?
eu defendo a feiúra da obra de arte
a estética da feiúra, da imperfeição,
do exagero, do excesso de informação
a estética dos engarrafamentos, da fumaça, das buzinas
do muro pichado, do lixo revirado
de tudo o que é caótico, urbano
de tudo o que é humano
a nudez mais funda é a alma exposta, ferida aberta,
coração dilacerado atirado no asfalto
que ainda pulsa, pulsa, pulsa...
antes de ser esmagado pela roda do carro
o motorista apressado nem vê
(está sempre atrasado pra viver)
eu desacelero, recolho, emolduro, exponho:
é o meu poema
que ainda pulsa, pulsa, pulsa...
eu estou nua dentro de um carrinho de compras no meio da rua
mas são poucos que têm olhos pra ver.
tento esconder as gordurinhas dos meus pensamentos
mas elas pulam pra fora, formam pneuzinhos
meus poemas são repletos de pneuzinhos
são o corpo imperfeito de um espírito inquieto
não uso maquiagem e vivo descabelada
meus versos têm um dentinho torto que aparelho nenhum dá jeito
cansei de sorrir com a mão na frente pra esconder o defeito
hoje sou só gargalhada!...
desfilo versos desengonçados pelas passarelas
me deixo fotografar com as expressões mais ridículas
o amor é ridículo – por que meus versos têm de ser bonitos?
eu defendo a feiúra da obra de arte
a estética da feiúra, da imperfeição,
do exagero, do excesso de informação
a estética dos engarrafamentos, da fumaça, das buzinas
do muro pichado, do lixo revirado
de tudo o que é caótico, urbano
de tudo o que é humano
a nudez mais funda é a alma exposta, ferida aberta,
coração dilacerado atirado no asfalto
que ainda pulsa, pulsa, pulsa...
antes de ser esmagado pela roda do carro
o motorista apressado nem vê
(está sempre atrasado pra viver)
eu desacelero, recolho, emolduro, exponho:
é o meu poema
que ainda pulsa, pulsa, pulsa...
eu estou nua dentro de um carrinho de compras no meio da rua
mas são poucos que têm olhos pra ver.
15.9.09
uma carta (ou história de ninar)
Oi Fer, onde está você? Estou morando num arco-íris, que fica pra lá do azul! É incrível como todas as cores se completam e todos os meus amigos me trespassam nos lilases. Tem dias que eu durmo no vermelho, outros no verde, e quando vejo, estou acordando no amarelo. Você precisa conhecer o meu pote de outro! Ele também é seu, como todos os meus tesouros. Os duendes o vigiam quando não estou. Quando estou, brincam comigo. Pulamos corda nas cores, cada um em uma, ao mesmo tempo. Também nadamos, cada qual na sua raia. E apostamos corrida até o pote de outro, que fica na linha de chegada. Eu sempre ganho, porque tenho passadas mais largas. Mas às vezes, fico pra trás de propósito, só pra ver a alegria de ganhar estampada em seus rostos. Como eles sempre moraram aqui, conhecem muitas histórias que cruzam os ares. Me contaram de um menino que eu gostei muito, porque me lembra a gente, as nossas viagens. O menino não conseguia dormir à noite, quando sua mãe dizia que era a hora. Então, pra passar o tempo, adivinha o que ele fez? Resolveu construir uma cápsula espacial! Todas as noites, antes de sua mãe o botar na cama, ia até a cozinha e pegava garfos, facas, conchas, escumadeiras, panelas, abridor de lata, uma hélice de liquidificador e etc. Ia pegando as poucos... Também uns pregos e parafusos, alicates, e outras ferramentas. E a cada noite, ia montando as peças, umas nas outras, até o dia raiar e o sono bater. Uma noite, ele percebeu que não precisava fazer mais nada, estava pronta a sua cápsula espacial. Então ele resolveu viajar pelo Universo. Cada noite um passeio diferente. Visitava estrelas, astros, planetas, os anéis de Saturno, cometas, conhecia extraterrestres de todas as esferas, e brincava com eles. Viajou tanto, tanto, tanto, que já conhecia cada ponto do Sistema Solar, já havia passado por toda a Via Láctea. Então resolveu partir para outras galáxias. E uma noite, decidiu dar uma volta espacial completa. Subiu, subiu, subiu, subiu, subiu... passou muito tempo viajando pelo espaço. E nada de se completar a tal da volta. Começou a pensar que talvez o Espaço Sideral não fosse redondo como a Terra. Resolveu voltar, mas, de repente, se viu perdido. Perdido no meio do espaço, no vago, sem nenhum ET ou uma estrela conhecida. Não tinha a quem pedir ajuda, uma informação, guarida. Pensou na sua mãe, na sua casa, no seu quarto, em seus brinquedos, em tudo o que havia ficado para trás. Sentiu uma angústia jamais sentida, um aperto no peito, um misto de saudade e desespero. E pôs-se a chorar. Chorou, chorou, chorou, chorou, chorou... chorou tanto, que a cápsula começou a inundar. Ele nem se deu conta que estava boiando na água, já que no espaço se bóia no ar. Chorou, chorou, chorou... e a cápsula cheia d’água começou a pesar, e com o peso das lágrimas, começou a descer... E desceu, desceu, desceu... e com a vista turva das lágrimas, o menino nem via passar as estrelas e os planetas e tudo o que conhecia, nem os ETs que lhe acenavam pelo caminho. Quando deu por si, estava a ponto de se afogar nas próprias lágrimas, que inundavam toda a cápsula. E quando abriu a porta, estava dentro de seu quarto. A água que escorreu varou pela casa e foi dar na sala, onde outro grande lago de lágrimas se encontrava. Eram as lágrimas de sua mãe, desesperada, que já havia ligado para a polícia, os bombeiros, todos os hospitais e lugares mais sombrios. O barulho do encontro das águas a despertou, e ela correu para o quarto do filho. Se abraçaram tanto, e tanto comemoraram, que a mãe nem deu pela presença de uma cápsula espacial formada por seus utensílios de cozinha no meio do quarto. Apenas disse ao filho, pode brincar onde quiser, meu menino, mas não saia mais sem um aviso. Achei que você tinha sido abduzido por ETs! Que bom que essas coisas não existem, suspirou aliviada. O menino reprimiu uma risada. Recebeu da mãe um beijo de boa noite. E naquela noite, dormiu como um bebê embalado no colo. Sonhou com uma menina que morava num arco-íris, e brincava com duendes de pular corda nas cores. E ele se divertiu tanto apostando corrida até o pote de ouro, que percebeu que o sono também pode ser uma viagem extraordinária! Não passou mais uma noite em claro. E você, meu Pequeno Príncipe, meu Menino Maluquinho, o que anda aprontando nas suas viagens?
Beijos,
Bia
ps. este texto integra o livro em processo "Oscar manda lembranças"...
Beijos,
Bia
ps. este texto integra o livro em processo "Oscar manda lembranças"...
5.9.09
iminência (primeira versão)
a possibilidade é mais que o fato
é o olfato, o tato,
o toque que arrepia
o gosto de quero mais
é o que fica no ar
que você quer apanhar...
o que está nas mãos está nas mãos.
não é desejo de pegar
desejo é impulso, é vontade,
sonho de ser realidade
o que move, motiva, o que pulsa
desejar e ter é muito bom - essa urgência...
mas melhor é morder o sanduíche pelos lados
e deixar por último o meio cheio de recheio!
ou comer primeiro a parte seca do biscoito recheado
ou guardar aquele último gole de coca-cola pra manhã do dia seguinte de ressaca - hummm...
a coisa deixa de ser a coisa em si e vira um objeto de desejo
como um beijo negado
[estamos sempre na iminência de algo]
é o olfato, o tato,
o toque que arrepia
o gosto de quero mais
é o que fica no ar
que você quer apanhar...
o que está nas mãos está nas mãos.
não é desejo de pegar
desejo é impulso, é vontade,
sonho de ser realidade
o que move, motiva, o que pulsa
desejar e ter é muito bom - essa urgência...
mas melhor é morder o sanduíche pelos lados
e deixar por último o meio cheio de recheio!
ou comer primeiro a parte seca do biscoito recheado
ou guardar aquele último gole de coca-cola pra manhã do dia seguinte de ressaca - hummm...
a coisa deixa de ser a coisa em si e vira um objeto de desejo
como um beijo negado
[estamos sempre na iminência de algo]
24.8.09
meu esmalte vermelho descasca.
é tão feio unha descascada de esmalte vermelho!
é feio ver explícito o pedaço que falta
mas, afinal, isto é meu espelho:
um pedaço que falta gritando vermelho intenso no corpo inteiro.
e não adianta retocar aqui, ali, acolá
o jeito é tascar acetona e tirar tudo!
depois, repintar de outra cor
um tom mais claro pra dar leveza...
pra descascar sem dor
um descanso, uma pausa, um alento.
e depois, um recomeço
um novo vermelho intenso
que só descasque no tempo certo de repintar
dando a impressão de estar sempre a durar...
eu preciso dessa ilusão!
em não ver o pedaço que falta,
é como se ele não estivesse lá.
(a pior ausência é a que se faz presente no espaço vazio que a denuncia)
é tão feio unha descascada de esmalte vermelho!
é feio ver explícito o pedaço que falta
mas, afinal, isto é meu espelho:
um pedaço que falta gritando vermelho intenso no corpo inteiro.
e não adianta retocar aqui, ali, acolá
o jeito é tascar acetona e tirar tudo!
depois, repintar de outra cor
um tom mais claro pra dar leveza...
pra descascar sem dor
um descanso, uma pausa, um alento.
e depois, um recomeço
um novo vermelho intenso
que só descasque no tempo certo de repintar
dando a impressão de estar sempre a durar...
eu preciso dessa ilusão!
em não ver o pedaço que falta,
é como se ele não estivesse lá.
(a pior ausência é a que se faz presente no espaço vazio que a denuncia)
20.8.09
Sarau da UNIRIO
Dia 28/08, sexta, a partir das 18h, vai rolar o Sarau de Artes Cênicas da UNIRIO, que organizamos todo início de semestre pra receber os calouros. O sarau percorre várias salas do CLA (Centro de Letras e Artes), e termina na sala do DA, em cima da cantina.
29.7.09
amizade não se conquista
amigo não se ganha
amigo não se faz
amizade não cresce, não se constrói
e é por isso que amigo não se perde
amizade não se desfaz, não diminui, não se destrói
amizade é um encontro que acontece
amigo
– e isso é tanto e é só isso –
se reconhece
amigo não se ganha
amigo não se faz
amizade não cresce, não se constrói
e é por isso que amigo não se perde
amizade não se desfaz, não diminui, não se destrói
amizade é um encontro que acontece
amigo
– e isso é tanto e é só isso –
se reconhece
20.7.09
Hoje eu, Betina Kopp e Lucas Castelo Branco estaremos no lançamento do livro "ESTRIBILHO DO ENCARCERADO", de Anna Maria Dutra de Menezes de Carvalho, falando poemas da autora. Será a partir das 19 horas, na Livraria diVersos, durante o Corujão da Poesia-Universo da Leitura da Barra da Tijuca. (Av. Érico Veríssimo, 843 Lj A)
De lá vamos para o Sarau Eletrônico do Tico Santa Cruz, que é transmitido ao vivo pela internet. Pra saber o endereço do site e mais informações, acesse: http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/
De lá vamos para o Sarau Eletrônico do Tico Santa Cruz, que é transmitido ao vivo pela internet. Pra saber o endereço do site e mais informações, acesse: http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/
MONOCORDIA
(Ana Maria Carvalho))
Bebemos todos, tanto bebemos
Que embriagados então ficamos
E vimos coisas que nunca vemos
E sem saber nos conhecemos
E conhecendo nos amamos.
Que grupo estranho aquela gente
De juventude tão aparente
E tão saudável no apresentar
Mas na verdade quanta ironia
Saber ao certo, ninguém sabia
O que soubemos naquele bar.
Ao confessar cada desgosto
O mesmo rosto em cada rosto
Se repetia
E soluçantes nos beijamos
E uns aos outros nos confessamos
Sem covardia.
Hoje passou a bebedeira
E a dor exata desta besteira
Chorou na fronha
E ao nos olharmos quanto receio
Aí quanto gesto parado ao meio
Quanta vergonha.
E desvendados e descobertos
Nós nos sentimos demais incertos
Para o viver
E filosóficos, sem reclamar
Voltamos todos ao mesmo bar
Para beber.
Bebemos tanto, tanto bebemos
Que embriagados então ficamos
E vimos coisas que nunca vemos
E sem saber nos conhecemos
E conhecendo nos amamos.
14.7.09
eu me pergunto se eu deveria perder tempo elaborando respostas
você é tão inteligente
já deveria tê-las
talvez as tenha
mas não!
a verdade é que você não tem resposta nenhuma
até as dúvidas você suga dos outros
cite filósofos e poetas e grandes cineastas
cite o mundo inteiro!
mostre o quanto você é capaz de armazenar conhecimento
e não ter uma idéia própria
porque tem medo
eu sou bonita e veja você!
eu não sou burra – sabe por quê?
porque eu sei pensar por mim mesma.
e falo fernando pessoa, e clarice lispector e a puta que o pariu!
(se eu acho que eles dizem o que eu quero dizer)
mas eu sei dizer o que eu quero
com as palavras que EU quero
ao contrário de você.
você foi treinado para ser o inteligente
e não é capaz de compreender a beleza
de simplesmente
SER
eu nunca fui adestrada
sou fera solta
ferida às vezes
mas sempre capaz de ferir
não se meta comigo, rapaz, você vai se arrepender!
eu podia dizer o que eu disse e algo mais, e daí?
eu sou o que eu sou.
e você?
você é o que fizeram de ti.
você é tão inteligente
já deveria tê-las
talvez as tenha
mas não!
a verdade é que você não tem resposta nenhuma
até as dúvidas você suga dos outros
cite filósofos e poetas e grandes cineastas
cite o mundo inteiro!
mostre o quanto você é capaz de armazenar conhecimento
e não ter uma idéia própria
porque tem medo
eu sou bonita e veja você!
eu não sou burra – sabe por quê?
porque eu sei pensar por mim mesma.
e falo fernando pessoa, e clarice lispector e a puta que o pariu!
(se eu acho que eles dizem o que eu quero dizer)
mas eu sei dizer o que eu quero
com as palavras que EU quero
ao contrário de você.
você foi treinado para ser o inteligente
e não é capaz de compreender a beleza
de simplesmente
SER
eu nunca fui adestrada
sou fera solta
ferida às vezes
mas sempre capaz de ferir
não se meta comigo, rapaz, você vai se arrepender!
eu podia dizer o que eu disse e algo mais, e daí?
eu sou o que eu sou.
e você?
você é o que fizeram de ti.
9.7.09
UM POEMA RUIM (ou a minha melhor resposta)
eu podia te xingar de todos os nomes
porque você só dorme com a namorada e eu sou a vadia
porque você me conta das suas trepadas
e dá em cima da minha melhor amiga
eu podia destruir você em poucas palavras
falar que você trepa mal e beijar meu amigo gay
eu podia ignorar a sua existência, que é o melhor tapa na cara
eu podia trepar com todos os caras, menos você
ou te seduzir só pra dizer na hora h,
que nem geni a herculano:
- “você só toca em mim casando!”
mas não vou fazer nada,
nada, nada, nada
não vou dizer nada
só não vou dormir com você porque não sou sua namorada
e nem vou dar mais ouvidos às histórias das suas trepadas
vou sair com a minha melhor amiga pra falar de você e de outros caras
e dedicar a você um dos meus piores poemas
já que é da minha poesia que você tanto gosta
então eis um poema ruim
(ou a minha melhor resposta)
porque você só dorme com a namorada e eu sou a vadia
porque você me conta das suas trepadas
e dá em cima da minha melhor amiga
eu podia destruir você em poucas palavras
falar que você trepa mal e beijar meu amigo gay
eu podia ignorar a sua existência, que é o melhor tapa na cara
eu podia trepar com todos os caras, menos você
ou te seduzir só pra dizer na hora h,
que nem geni a herculano:
- “você só toca em mim casando!”
mas não vou fazer nada,
nada, nada, nada
não vou dizer nada
só não vou dormir com você porque não sou sua namorada
e nem vou dar mais ouvidos às histórias das suas trepadas
vou sair com a minha melhor amiga pra falar de você e de outros caras
e dedicar a você um dos meus piores poemas
já que é da minha poesia que você tanto gosta
então eis um poema ruim
(ou a minha melhor resposta)
27.6.09
8.6.09
não queira me anestesiar
não fujo da dor
encaro.
se pra amar é preciso doer, que doa!
e doa mais, muito mais, sempre mais...
(sofreria é se não doesse de amor)
doer é uma forma de sentir-se vivo
ter um corpo com terminações nervosas
e um músculo se exercitando no meio do peito
é natural da vida
se você entra numa academia e exercita demais o músculo do braço
no dia seguinte, o braço vai doer
com o coração é assim
é um músculo como qualquer outro
mas é um tipo de dor - exercitar-se - um tipo de dor que dá prazer
você sente que tem um corpo e faz dele o que quer
você sente que tem um coração e que ele bate e que ele apanha
não queira apaziguar meu coração
ele é um lutador de boxe, um campeão!
não uma bailarina na ponta dos pés...
vale sangrar no canto da boca e inchar o olho pra levar o cinturão
de que me vale dinheiro?
eu quero o título, as homenagens...
quero todas as honras...
e o inchaço no rosto e o dente que voa pelos ares
eu quero também
eu quero todas as minhas cicatrizes das minhas lutas e das minhas conquistas
e de todas as vezes que eu fiquei na lona
eu as trago comigo, as ostento como um troféu
você acha que eu sofro, que estou triste?
tenho tudo o que quero, mesmo quando não tenho
porque faço do meu jeito, sem medo de correr riscos
eu entro no ringue com a mesma disposição pra luta
seja o adversário um frangote ou um troglodita
de que me vale a sua segurança?
andar de cinto, atravessar na faixa, jamais avançar o sinal,
cercar-se de grades, câmeras, alarmes – prisão!
eu atravesso fora da faixa no sinal aberto correndo ao ar livre
só para abraçar alguém que vive!
morrer, cedo ou tarde, todo mundo morre
e também se morre, e muito mais cedo,
e muito mais triste o seu enterro,
quando se morre de não viver.
(meu coração não pára nunca!)
não fujo da dor
encaro.
se pra amar é preciso doer, que doa!
e doa mais, muito mais, sempre mais...
(sofreria é se não doesse de amor)
doer é uma forma de sentir-se vivo
ter um corpo com terminações nervosas
e um músculo se exercitando no meio do peito
é natural da vida
se você entra numa academia e exercita demais o músculo do braço
no dia seguinte, o braço vai doer
com o coração é assim
é um músculo como qualquer outro
mas é um tipo de dor - exercitar-se - um tipo de dor que dá prazer
você sente que tem um corpo e faz dele o que quer
você sente que tem um coração e que ele bate e que ele apanha
não queira apaziguar meu coração
ele é um lutador de boxe, um campeão!
não uma bailarina na ponta dos pés...
vale sangrar no canto da boca e inchar o olho pra levar o cinturão
de que me vale dinheiro?
eu quero o título, as homenagens...
quero todas as honras...
e o inchaço no rosto e o dente que voa pelos ares
eu quero também
eu quero todas as minhas cicatrizes das minhas lutas e das minhas conquistas
e de todas as vezes que eu fiquei na lona
eu as trago comigo, as ostento como um troféu
você acha que eu sofro, que estou triste?
tenho tudo o que quero, mesmo quando não tenho
porque faço do meu jeito, sem medo de correr riscos
eu entro no ringue com a mesma disposição pra luta
seja o adversário um frangote ou um troglodita
de que me vale a sua segurança?
andar de cinto, atravessar na faixa, jamais avançar o sinal,
cercar-se de grades, câmeras, alarmes – prisão!
eu atravesso fora da faixa no sinal aberto correndo ao ar livre
só para abraçar alguém que vive!
morrer, cedo ou tarde, todo mundo morre
e também se morre, e muito mais cedo,
e muito mais triste o seu enterro,
quando se morre de não viver.
(meu coração não pára nunca!)
4.6.09
Carta de um livro em processo (para Fernando)
Oscar subiu no telhado. Quer dizer, no terraço de um prédio bem alto. Os gatos são muito espertos. Eu mesma não saberia chegar lá se não tivesse seguido seus rastros. E lá estava você, entre os pára-raios e as antenas de TV. Eu, você e Oscar, juntos de novo. Naquela imensidão de topos de prédios que nos cercavam. Um mar de concreto em que a onda era o vento. E a gente mergulhava... Era o melhor mar para Oscar, que não gosta de água. Nos deitamos sob a luz da lua e não sei ao certo quanto tempo se passou. Foi como num transe. Quando despertei, estava nos seus braços. Você me ajudava a descer do telhado. Já estava no andar de baixo e dizia: “Pule, pode pular nos meus braços”. E eu deslizei no concreto como se estivesse em um escorrega... deslizei para os teus braços. Se você estivesse lá embaixo, na rua, e eu no último andar do prédio mais alto, e você me dissesse “pule”, eu pulava. Confio em você. Do teu lado posso andar de olhos fechados. É uma confiança tão certa, uma confiança tão rara. Amar e saber-se amado. Cuidar e ser cuidado. Por um simples querer. Sem obrigações, sem cobranças. Por um simples querer bem. Não posso livrar você de todo o perigo do mundo. E nem sempre você estará lá embaixo na rua para amparar a minha queda de um prédio bem alto. Mas se você disser pule, eu pulo; e quando eu digo pode vir, você já está do meu lado. Assim somos nós, com nossa confiança mútua, rara, perpétua. Nosso amor desmedido que nos serve de abrigo quando estamos perdidos. Depois de tanto tempo viajando pelo mundo, percebi que eu não tenho um lar. Voltar para casa é estar nos teus braços. Nunca existiu uma casa na árvore. Você é a minha casa da árvore. O meu refúgio. O meu cantinho seguro no mundo. Tudo isso eu já sabia, claro, já sentia. Mas naqueles segundos em que estive nos teus braços ao descer do terraço, isso se tornou tão certo e tão claro. Visível e palpável como as antenas de TV e os pára-raios. E me veio uma paz de estar em casa, um repouso para todo o meu cansaço. Foram apenas alguns segundos. Mas foi minha vida toda, ali, concentrada, acolhida no calor dos teus braços como coisa preciosa e mui querida. Por isso eu sei, com toda a certeza do mundo, que eu vou te amar por toda a minha vida... E você sempre pode vir ao encontro dos meus braços quando precisar de um lar. Sinto saudades quando você não vem. Mas afinal, você sempre está. É como se nunca tivesse saído e por isso não precisasse voltar. Mas você sempre volta... Eu sempre volto... Pra mim... Pra você... Pra casa.
1.6.09
1 ano de Corujão em Niterói
Esta segunda, dia 1º, tem comemoração de 1 ano do Corujão da Poesia de Niterói, a partir das 20h30 no Bar G3, em Icaraí. Segue a matéria que saiu no Globo:

27.5.09
Nesta quinta, dia 28
A partir das 17h, tem o evento Amostra Grátis, do projeto Geringonça, no SESC Tijuca, onde eu já me apresentei 2 vezes com o grupo Madame Kaos. Nesta edição, minha amiga Aline Vargas vai expor seu trabalho de artes plásticas com colagens. Algumas delas serão acompanhadas de poemas meus. Acho que vai ficar bonito! Eu só vou pra exposição, pq de lá eu parto direto para o CEP 20.000, que começa às 18h, no Espaço Cultural Sérgio Porto.
Este terá coordenação de Guilherme Zarvos, e de acordo com a Photophophoka de Tavinho Paes (link ao lado), a programação terá: "o poeta alagoano Lêdo Ivo, o rock da garotada dos Azuis; o talento cênico de estrela Alessandra Colasanti; O Coelho Rosa, Sol na Garganta do Futuro; lançamento do livro O Poeta Maldito da Lapa, de Kbé Saraiva (cuidado com os microfones!), e do 4º vídeo da CEPensamento TV; além dos experimentos sensoriais de Liza Machado e da gastronimia do Chef Z Guinle, que servirá no encerramento seu fabuloso ...risotto al funghi!"
Este terá coordenação de Guilherme Zarvos, e de acordo com a Photophophoka de Tavinho Paes (link ao lado), a programação terá: "o poeta alagoano Lêdo Ivo, o rock da garotada dos Azuis; o talento cênico de estrela Alessandra Colasanti; O Coelho Rosa, Sol na Garganta do Futuro; lançamento do livro O Poeta Maldito da Lapa, de Kbé Saraiva (cuidado com os microfones!), e do 4º vídeo da CEPensamento TV; além dos experimentos sensoriais de Liza Machado e da gastronimia do Chef Z Guinle, que servirá no encerramento seu fabuloso ...risotto al funghi!"
18.5.09
Fim de jogo.
Esse teu jogo de pique-esconde já passou dos limites! Por que sou sempre eu a contar e você a se esconder? Sempre eu a te procurar, enquanto você ri baixinho atrás do armário ou embaixo do sofá... Ri dos meus vãos passos incertos que nunca seguem na sua direção... E em vez de ressurgir às minhas costas, e bater o pique, e ganhar de mim, e depois tirar onda com a minha cara, pra eu ficar louca de raiva e logo amolecer só por te ver... Você permanece escondido, em silêncio. Às vezes faz barulho numa direção, e quando eu corro, você já se escondeu do outro lado. E fica assim, me vendo ir de um lado a outro, desnorteada, enquanto por dentro morre de dar risada. Já disse que esse teu jogo não tem a menor graça, não quero mais, estou fora da brincadeira! Cansei de contar o tempo em que você se afasta de mim. Cansei de colar a cara na parede pra não te ver fugir. Teu esconderijo perde todo o sentido se não há ninguém a te procurar. Esconda-se, esconda-se de si mesmo! E vamos ver o quanto você se diverte com isso, produzindo as pistas que você mesmo apaga, para não se encontrar! E não me peça socorro, não me peça ajuda quando você não puder mais encontrar a si mesmo! Meu ouvido já estará surdo aos ruídos que você provoca pra me despistar. Aí você vai contar até dez e sair pra me procurar. Vai vagar pelas ruas, pelos bares, pelas praças... Meu celular estará tão silencioso quanto a minha risada, porque eu não estarei feliz em não te encontrar, apenas resignada. E se por acaso a gente se esbarrar cara-a-cara (porque eu não vou me esconder, apenas não mais procurar), você vai querer me provar que é você, mas eu não vou te reconhecer. De tanto brincar de esconder, você não vai se achar, e eu não vou saber mais que você é você. Talvez fique perdido pra sempre aquele menino que eu procurava... Perdido entre as minhas lembranças confusas de pistas erradas... Eu não vou reconhecer mais o som da sua risada, ela já não será mais a mesma. Será que você ainda vai se lembrar de como era rir comigo? Ah, mas até o som da sua risada você terá escondido! Você vai querer rir pra mim, e vai sair um grito! Você não saberá mais a diferença entre um riso e um gemido. Tudo em você de você mesmo terá sido escondido. Tudo vai soar falso e eu não vou acreditar que você era aquele menino. Vou ter pena de você por te achar louco, e me desvencilhar cordialmente, acenar com um sorriso, e sumir ao dobrar uma esquina. Não vou mais te procurar. Talvez nunca mais te achar. Terei saudades de você. Você entende como pode ser terrível uma brincadeira inconseqüente?! Se quiser, conte agora até dez, e quando você se virar, eu estarei na sua frente. Fim de jogo.
10.5.09
primeira poesia
p/ minha mãe
matéria-prima do poeta
palavra
a gente lavra, lavra
esculpe a palavra
pinta de várias cores
faz soar em vários tons
brinca na ginga
dança na música das palavras
meu primeiro poema
foi a primeira palavra falada
para o público mais comovido
mãe
é palavra, é gente
abrigo, alimento, é vida
é toda palavra já dita
toda a palavra não-dita
toda bendita palavra gerada no ventre do universo
todo verso
e toda prosa
mãe é toda, e todas são,
rima mais rara, mais cara, mais rica
e nem precisa ser escrita
mãe é
poesia
matéria-prima do poeta
palavra
a gente lavra, lavra
esculpe a palavra
pinta de várias cores
faz soar em vários tons
brinca na ginga
dança na música das palavras
meu primeiro poema
foi a primeira palavra falada
para o público mais comovido
mãe
é palavra, é gente
abrigo, alimento, é vida
é toda palavra já dita
toda a palavra não-dita
toda bendita palavra gerada no ventre do universo
todo verso
e toda prosa
mãe é toda, e todas são,
rima mais rara, mais cara, mais rica
e nem precisa ser escrita
mãe é
poesia
28.4.09
VERSOS DA MEIA-NOITE COM MADAME KAOS!
Meu amigo poeta lindo que eu amo tanto Gean Queiroz está de volta ao Rio, e com ele retorna o Versos da Meia-Noite, o evento poético mais rock'n roll dessa cidade (junto com o CEP), realizado numa boate de subsolo, no melhor estilo underground! Meu grupo, Madame Kaos, é uma das atrações, e também retorna de um período de "férias" (desde de dezembro de 2008 não fazemos uma apresentação). Então é um retorno em dose dupla, imperdível! (pra acompanhar uma dose dupla de qualquer bebida forte cai bem...) Vai ser no dia 7/05 (quinta), às 23h, na Fosfobox.
20.4.09
UM SINISTRO (COMO NOS TERMOS DO SEGURO)
As coisas são sempre por um triz
Por um triz a batida não foi na porta do motorista, no caso, eu
Por um triz eu não perco a vida ou me estrepo toda
E teria sido por um triz que eu não teria avançado aquele sinal, ou que teria avançado o anterior, porque eu parei no primeiro, mas o medo não me deixou para duas vezes seguidas no mesmo lugar em que eu tinha sido assaltada há pouco tempo
Eles nos levam tudo instaurando esse clima de medo, levaram o meu celular, ferraram meu carro e podiam ter me levado a vida, por um triz
Se o motorista do outro carro tivesse freado, a batida teria sido na porta do meu lado
Ele passou pouco antes, e batemos frente com lateral dianteira
Por um triz eu não bato na porta do carona onde estava a mulher dele, por um triz a mulher dele saiu inteira, sem nenhum arranhão
O carro ficou todo ferrado, mas por um triz estávamos os três inteiros
Eu tremendo e chorando e não achando o maldito cartão do seguro na bolsa, e não conseguindo montar o triângulo, dependendo da ajuda de estranhos
Eu tremendo e chorando sozinha de madrugada olhando o estrago no meu carro e no carro dele, enquanto ele calmo chamava a polícia pra fazer ocorrência
Não sei se a calma dele me acalmava ou me deixava mais nervosa, eu só pedia desculpas, tremia e chorava e me sentia engolida por toda a solidão e desamparo do mundo
Foi só um segundo, eu não vi, só senti a batida, e por um triz... Por um triz não acontecia, ou seria pior, por um triz...
Depois de acionar a polícia, o seguro, o reboque, duas horas depois eu estava em casa, tão cansada...
Mas agora a imagem da batida, mais que a imagem, a sensação, porque eu não vi nada, aquela sensação não me deixa dormir
A sensação de um segundo, o barulho, a porrada, o cheiro de borracha queimada, e eu sem saber se desligava o carro, puxava o freio de mão ou ligava o pisca alerta, ou tirava o freio de mão e saía logo do carro antes que um outro viesse na minha direção... eu saindo do carro tremendo ainda sem saber direito o que estava acontecendo... meu deus, o que eu faço, eu nunca bati com o carro? O casal sai do outro carro. Vocês estão bem? Estão. E eu sento no meio-fio e começo a chorar porque eu não acho na bolsa o cartão, o celular, e nem sei pra quem eu devo primeiro ligar... Eu não acho o documento do carro, a carteira de habilitação, e nem sei o que devo falar. Pro casal eu só peço desculpas. Desculpa, desculpa, desculpa... Eu tive medo de parar.
E agora eu não consigo dormir, porque eu queria esquecer, mas eu preciso lembrar. Eu que freqüentemente dirijo sob efeito de álcool, eu não tinha ingerido uma gota de nada. Eu preciso lembrar pra descobrir o que foi que eu fiz de errado. Avançar o sinal? O motorista do reboque veio avançando até Niterói. Todo mundo avança sinal de madrugada. Porque uma menina sozinha no carro não avançaria?! Como foi que eu não vi o outro carro que vinha? A rua parecia tão deserta... Será que a culpa foi minha, ou não estaria ele muito acelerado? Como eu não vi? Eu avanço os sinais vermelhos de madrugada, mas também sempre reduzo nos verdes, porque eu sei que todo mundo avança, então reduzo por segurança. Ele não reduziu, não me viu. Tudo bem, tava verde pra ele, mas por que ele não reduziu? Até bêbada eu faço isso, meu deus! Principalmente bêbada, fico mais cautelosa, por me saber a priori errada. Mas desta vez eu não tinha bebido nada, só água. Só tinha medo de ficar parada, e um pouco de pressa de chegar em casa. Nem cansada eu estava...
Agora tá lá o meu carro todo ferrado, eu ainda sem saber o valor do estrago, mas já sabendo que o seguro não cobre tudo e que eu não tenho um tostão pra bancar o conserto.
Agora ta lá o meu carro ferrado, e eu aqui com a sensação da batida a me despertar toda hora que eu me entrego pro sono. Como se o sono fosse aquele segundo de distração, onde tudo aconteceu por um triz.
Por um triz, eu bati. Por um triz, não consigo dormir.
Aí eu desci pra comprar uma cerveja e vi lá embaixo meu carro amassado e pensei: que merda! Aí eu desisti de dormir. Agora só tomo a minha cerveja e fumo o meu cigarro... Não há nada o que fazer. Só lembrar ao máximo, pra depois conseguir esquecer.
Por um triz a batida não foi na porta do motorista, no caso, eu
Por um triz eu não perco a vida ou me estrepo toda
E teria sido por um triz que eu não teria avançado aquele sinal, ou que teria avançado o anterior, porque eu parei no primeiro, mas o medo não me deixou para duas vezes seguidas no mesmo lugar em que eu tinha sido assaltada há pouco tempo
Eles nos levam tudo instaurando esse clima de medo, levaram o meu celular, ferraram meu carro e podiam ter me levado a vida, por um triz
Se o motorista do outro carro tivesse freado, a batida teria sido na porta do meu lado
Ele passou pouco antes, e batemos frente com lateral dianteira
Por um triz eu não bato na porta do carona onde estava a mulher dele, por um triz a mulher dele saiu inteira, sem nenhum arranhão
O carro ficou todo ferrado, mas por um triz estávamos os três inteiros
Eu tremendo e chorando e não achando o maldito cartão do seguro na bolsa, e não conseguindo montar o triângulo, dependendo da ajuda de estranhos
Eu tremendo e chorando sozinha de madrugada olhando o estrago no meu carro e no carro dele, enquanto ele calmo chamava a polícia pra fazer ocorrência
Não sei se a calma dele me acalmava ou me deixava mais nervosa, eu só pedia desculpas, tremia e chorava e me sentia engolida por toda a solidão e desamparo do mundo
Foi só um segundo, eu não vi, só senti a batida, e por um triz... Por um triz não acontecia, ou seria pior, por um triz...
Depois de acionar a polícia, o seguro, o reboque, duas horas depois eu estava em casa, tão cansada...
Mas agora a imagem da batida, mais que a imagem, a sensação, porque eu não vi nada, aquela sensação não me deixa dormir
A sensação de um segundo, o barulho, a porrada, o cheiro de borracha queimada, e eu sem saber se desligava o carro, puxava o freio de mão ou ligava o pisca alerta, ou tirava o freio de mão e saía logo do carro antes que um outro viesse na minha direção... eu saindo do carro tremendo ainda sem saber direito o que estava acontecendo... meu deus, o que eu faço, eu nunca bati com o carro? O casal sai do outro carro. Vocês estão bem? Estão. E eu sento no meio-fio e começo a chorar porque eu não acho na bolsa o cartão, o celular, e nem sei pra quem eu devo primeiro ligar... Eu não acho o documento do carro, a carteira de habilitação, e nem sei o que devo falar. Pro casal eu só peço desculpas. Desculpa, desculpa, desculpa... Eu tive medo de parar.
E agora eu não consigo dormir, porque eu queria esquecer, mas eu preciso lembrar. Eu que freqüentemente dirijo sob efeito de álcool, eu não tinha ingerido uma gota de nada. Eu preciso lembrar pra descobrir o que foi que eu fiz de errado. Avançar o sinal? O motorista do reboque veio avançando até Niterói. Todo mundo avança sinal de madrugada. Porque uma menina sozinha no carro não avançaria?! Como foi que eu não vi o outro carro que vinha? A rua parecia tão deserta... Será que a culpa foi minha, ou não estaria ele muito acelerado? Como eu não vi? Eu avanço os sinais vermelhos de madrugada, mas também sempre reduzo nos verdes, porque eu sei que todo mundo avança, então reduzo por segurança. Ele não reduziu, não me viu. Tudo bem, tava verde pra ele, mas por que ele não reduziu? Até bêbada eu faço isso, meu deus! Principalmente bêbada, fico mais cautelosa, por me saber a priori errada. Mas desta vez eu não tinha bebido nada, só água. Só tinha medo de ficar parada, e um pouco de pressa de chegar em casa. Nem cansada eu estava...
Agora tá lá o meu carro todo ferrado, eu ainda sem saber o valor do estrago, mas já sabendo que o seguro não cobre tudo e que eu não tenho um tostão pra bancar o conserto.
Agora ta lá o meu carro ferrado, e eu aqui com a sensação da batida a me despertar toda hora que eu me entrego pro sono. Como se o sono fosse aquele segundo de distração, onde tudo aconteceu por um triz.
Por um triz, eu bati. Por um triz, não consigo dormir.
Aí eu desci pra comprar uma cerveja e vi lá embaixo meu carro amassado e pensei: que merda! Aí eu desisti de dormir. Agora só tomo a minha cerveja e fumo o meu cigarro... Não há nada o que fazer. Só lembrar ao máximo, pra depois conseguir esquecer.
6.4.09
"se alguém perguntar por mim
diz que eu fui por aí
levando um violão embaixo do braço
em qualquer esquina
eu paro
em qualquer botequim
eu entro
e se houver motivo
é mais um samba que eu faço
se quiserem saber se eu volto
diga que sim
mas só depois que a saudade se afastar de mim"
diz que eu fui por aí
levando um violão embaixo do braço
em qualquer esquina
eu paro
em qualquer botequim
eu entro
e se houver motivo
é mais um samba que eu faço
se quiserem saber se eu volto
diga que sim
mas só depois que a saudade se afastar de mim"
7.3.09
A DOR QUE DÓI MAIS, de Martha Medeiros
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Oscar manda lembranças
A série "cartas" foi toda apagada do blogue, porque está em fase de revisão para inscrição no Edital da Petrobrás. Quando o livro for publicado, seu conteúdo na íntegra será disponibilizado na internet. Aguardem... E torçam por mim!
6.3.09
Eu Não Existo Sem Você (Vinícius de Moraes)
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você
2.3.09
como burocratizar um poema?
preencha os campos obrigatórios
descreva os objetivos
aponte os resultados concretos a serem obtidos
informe o quê pretende realizar de maneira clara e sucinta
descreva as atividades previstas
informe o público alvo
faça planos de distribuição e divulgação
orçamentos
cronogramas
não deixe nada em branco
preencha cada campo
de maneira clara e direta
com a quantia de caracteres certa
enquadre, burocratize bem o poema!
depois vá dormir se perguntando: 40 mil vale a pena?
ah, se com um poema eu conquistasse 40 mil almas...!
isso, sim, valeria!
por que não nos pagam pra fazer poesia?
essa coisa sem objetivo, sem resultado concreto, sem público alvo, sem alvará...
essa coisa que não se diz o quê de maneira clara e sucinta
essa coisa, deus meu, que não se enquadra!
que espera apenas que alguém a sinta...
e depois se perde de vista.
que escorrega, desliza, rodopia e vaza...
essa coisa poema não dá,
eu aperto aqui ali acolá,
e não cabe.
eu quero enquadrar, algemar, prender.
eu quero dinheiro – e quem não quer?
mas ela dá um jeito de fugir.
essa coisa poesia me escapa
numa palavra que ela esbarra, empaca:
burocracia.
e lá se foi a poesia...
descreva os objetivos
aponte os resultados concretos a serem obtidos
informe o quê pretende realizar de maneira clara e sucinta
descreva as atividades previstas
informe o público alvo
faça planos de distribuição e divulgação
orçamentos
cronogramas
não deixe nada em branco
preencha cada campo
de maneira clara e direta
com a quantia de caracteres certa
enquadre, burocratize bem o poema!
depois vá dormir se perguntando: 40 mil vale a pena?
ah, se com um poema eu conquistasse 40 mil almas...!
isso, sim, valeria!
por que não nos pagam pra fazer poesia?
essa coisa sem objetivo, sem resultado concreto, sem público alvo, sem alvará...
essa coisa que não se diz o quê de maneira clara e sucinta
essa coisa, deus meu, que não se enquadra!
que espera apenas que alguém a sinta...
e depois se perde de vista.
que escorrega, desliza, rodopia e vaza...
essa coisa poema não dá,
eu aperto aqui ali acolá,
e não cabe.
eu quero enquadrar, algemar, prender.
eu quero dinheiro – e quem não quer?
mas ela dá um jeito de fugir.
essa coisa poesia me escapa
numa palavra que ela esbarra, empaca:
burocracia.
e lá se foi a poesia...
25.2.09
é carnaval, e eu não consigo sair, e eu não consigo dormir, e eu vejo os simpsons na fox, e eu não consigo nem rir das piadas... é carnaval e eu não vejo o seu rosto no meio das máscaras na multidão e eu só me pergunto onde está você. se você veste a mesma máscara de euforia que eu vi outro dia. é sempre a mesma máscara com cheiro de álcool e falsa felicidade. é sempre a mesma fantasia, que eu gosto de despir quando te olho nos olhos e vejo o que ninguém vê. mesmo aqui, em casa, sozinha, e até de olhos fechados, eu vejo você. não queria te perder de vista, mas eu deixo você se afastar dos meus olhos sem apresentar resistência nenhuma, porque sei que as fantasias também são teu refúgio, e eu te deixo fugir... e eu até acho graça quando vejo alguém perseguir essa imagem, a que você tem e a que você cria, tanto faz. acho graça porque a imagem é o que se esvai. é uma perseguição inútil, e você sabe, e você deixa. e eu acho mesmo que no fundo você acha graça também. e se diverte com isso enquanto não cansa. às vezes você parece criança. querendo testar os limites. pedindo, implorando, um não. apenas mais uma criança querendo chamar atenção. mas eu, quando olho você, o que vejo é uma criança chorando, sozinha, perdida no meio da multidão. uma criança sem os pais ao lado pra quem dar a mão. sem o endereço de casa. e que de tanto soluçar nem consegue dar alguma informação pra que alguém possa te ajudar. o pior é que você sabe que tem a minha mão, e você solta... então não sou eu que vou catar a sua pra te trazer de volta. no fundo eu também sou uma criança sozinha perdida no meio da multidão. só que eu tenho o endereço de casa, onde eu sempre tenho mãos pra segurar, e pra me sentir segura. é carnaval e eu estou em casa e isso me faz bem. não queria te encontrar pelas ruas... te perder de mim...
30.1.09
W.O.
para Aninha
é medo de perder?
ou é medo de ganhar?
quando o jogo está zerado
quando não rolam os dados
quando não se assume os riscos
de iniciar a partida
ela já está perdida
se o que há é nada, já é o não
arrisque a possibilidade de um sim
o sim é o máximo que pode acontecer
não tenha medo de ganhar
que não lutar já é perder
é medo de perder?
ou é medo de ganhar?
quando o jogo está zerado
quando não rolam os dados
quando não se assume os riscos
de iniciar a partida
ela já está perdida
se o que há é nada, já é o não
arrisque a possibilidade de um sim
o sim é o máximo que pode acontecer
não tenha medo de ganhar
que não lutar já é perder
25.12.08
23.12.08

O Projeto MaPa fecha o ano com muita música e poesia. A próxima edição será no dia 26 de dezembro, logo depois da passagem de Papai Noel, a partir das 21h, no Cinematheque, em Botafogo. Nesta próxima edição, o projeto conta com as interferências das poetas do Madame Kaos, do humorista e diretor Fernando Ceylão e da banda Vulgue Tostoi, que apresenta músicas de seu segundo CD. A edição comemora ainda o primeiro ano do MaPa!
No blog do projeto (www.projetomapa.blogspot.com), fotos e o depoimento de quem pisou no palco do Cinematheque na temporada 2008.
Feliz Natal e um ótimo 2009!
MaPa!
16.12.08
A LAGARTA
As horas longe de você se arrastam como lagartas verdes e peludas deslizando vagarosamente pelo tronco áspero de uma árvore solitária plantada no topo de uma montanha, onde o vento uiva sussurrando seu nome no meu ouvido. Não me alegro quando os pássaros vêm cantar na minha janela. Nem me entristeço ouvindo um negro cantando blues. Não tenho vontade de me embriagar e cantar desafinada e exageradamente um Cazuza no bar. Não tenho sono de dormir em cama que não seja a tua. Não tenho fome que não seja do teu nome. Não tenho sede que não seja do teu cheiro. Sinto falta do teu travesseiro entre as minhas pernas. Dos teus cabelos entre os meus dedos. Dos nossos segredos contados no olhar. Gosto de acordar no meio da noite e velar teu sono. Ouvir tua respiração com o interesse de uma criança pra quem a mãe vem contar histórias ou uma canção de ninar. E depois tornar a dormir, pra logo acordar. Mas as horas passam e eu não tenho sono e eu me pergunto se você dorme por aí. Se você se embriaga e canta Cazuza no bar. Se você se alegra ou se entristece com um pássaro ou um blues. Ou se a lagarta verde também te ronda, peluda, áspera e vagarosa. Se ela te assombra com o passar das horas. Se ela te visitasse eu teria certeza que eu poderia te amar. Que eu poderia deslizar vagarosamente pelo teu corpo, chegar ao topo, soprar o vento, sussurrar gemidos, uivar teu nome no teu ouvido. Você pode até deixar a lagarta na cama dormindo enquanto sai pra tomar uma vodka entre sorrisos de desesperada euforia. E se embriagar, e cantar um blues, imitar um pássaro, e voar... Mas se quando você voltar, a lagarta ainda estiver lá, bota ela pra fora, e me põe na tua cama, que é o meu lugar.
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